segunda-feira, 31 de julho de 2017

Uma História do Templo Sagrado e sua Centralidade no Judaísmo




Com o Tisha b'Av, o dia do luto pelo Templo Sagrado, a chegar, é hora de abordar a importância de Jerusalém, e neste caso, o Templo e o Monte do Templo - o ponto focal de Jerusalém.


O Primeiro e Segundo Templos ficavam situados em Jerusalém, no Har Habayit, o Monte do Templo, conhecido como o Monte Moriah em toda a Bíblia. Hoje, uma famosa mesquita da cúpula de ouro ocupa o local.

Ao contrário do conceito popularmente generalizado, o Templo Sagrado era muito mais do que uma sinagoga. Era o centro de toda a vida judaica, tanto espiritual como material. Do Sumo Sacerdote e do Tribunal Superior às lojas e cambistas ao longo do seu passeio exterior, o Templo Sagrado foi o coração da vida judaica em Jerusalém e, por extensão, do mundo inteiro.
 
De acordo com a tradição judaica, a criação do mundo começou a partir do Monte do Templo. Além disso, Deus usou a Terra do Monte do Templo para criar Adão e Eva. De acordo com alguns relatos, os primeiros sacrifícios oferecidos por Noé depois de desembarcar da Arca foram no Monte do Templo. Foi também o local da Akeida, o sacrifício-teste de Isaque no altar por seu pai, Abraão, a mando de Deus. 

Na verdade, esse evento ocorreu na "rocha" que pode ser vista hoje na mesquita conhecida como Domo da Rocha.

A Bíblia diz-nos que o Primeiro Templo foi construído em 957 ante da Era Comum, pelo Rei Salomão. Antes desse tempo, as pessoas podiam oferecer sacrifícios a Deus em qualquer momento e lugar, mesmo no seu próprio quintal. Uma vez que o Templo foi concluído, tornou-se proibido oferecer sacrifícios em qualquer outro lugar


O Templo substituiu o Tabernáculo do deserto



O Templo Sagrado (cortesia Instituto do Templo)


O Templo substituiu o Tabernáculo, a sinagoga portátil que acompanhou o povo judeu durante os seus 40 anos a vaguear no deserto, bem como na Terra de Israel até o Templo ser construído. O primeiro templo foi destruído pelos Babilónios em 586 AEC..

De acordo com o Livro de Ezra, a construção do Segundo Templo foi autorizada pelo Rei Ciro e começou em 538 AEC, após a queda do Império Babilónico no ano anterior. Foi completado 23 anos depois, no terceiro dia de Adar, no sexto ano do reinado de Dario, o Grande (12 de Março de 515 AEC). A cerimónia de dedicação foi liderada pelo governador judeu Zorobabel. O pátio principal tinha 13 portões dos quais um dava para o Templo e o Monte do Templo. 

O Segundo Templo foi quase destruído em 332 AEC, quando os judeus se recusaram a reconhecer a deificação de Alexandre, o Grande da Macedónia. Alexandre foi supostamente "parado na sua raiva" à última hora por alguma diplomacia e lisonja astuta.  

Após a morte de Alexandre, em 13 de Junho de 323 AEC, os Ptolomeus vieram a dominar a Judeia e o Templo. Sob os Ptolomeus, os judeus receberam muitas liberdades civis, apesar de viveram sob seu domínio. No entanto, quando o exército ptolemaico foi derrotado por Antíoco III dos Selêucidas em 198 AEC, esta política mudou. Antíoco queria helenizar os judeus. Uma rebelião seguiu-se e foi brutalmente esmagada, mas nenhuma outra acção de Antíoco foi tomada.



Rebelião judaica contra Antíoco III

Antíoco Epifânio IV imediatamente adoptou a política anterior de seu pai, de helenização universal. Os judeus rebelaram-se novamente e Antíoco, em fúria, retaliou em força.


A palha que quebrou as costas do camelo para o povo judeu foi quando Antíoco proibiu a observância do Sábado e a circuncisão. Além disso, quando Antíoco erigiu uma estátua de Zeus no Templo e os sacerdotes helénicos começaram a sacrificar porcos (o sacrifício usual oferecido aos deuses gregos na religião helénica), a ira dos judeus começou a estalar. Quando um oficial grego ordenou a um sacerdote judeu que realizasse um sacrifício helénico, o sacerdote, Matatias, matou-o.


A violência muçulmana contra os visitantes judeus e cristãos está em andamento no Monte do Templo, incluindo o mês passado, quando os manifestantes entraram em confronto com a Polícia. (Foto: veooz.com)



Em 167 AEC, os judeus levantaram-se em massa guiados por Matatias e seus cinco filhos, para lutar e ganhar a liberdade e a emancipação da autoridade Selêucida. O filho de Matatias, Judas Macabeu, rededicou o templo em 165 AEC, e os judeus celebram este evento até hoje como uma parte importante do festival de Chanucá. 

Durante a ocupação romana da Judeia, o Templo permaneceu sob o controle do povo judeu. Mais tarde, foi destruído pelos romanos em 70 EC durante o cerco de Jerusalém. Durante a última revolta dos judeus contra os Romanos, em 132-135 EC, Simon bar Kokhba e o rabino Akiva queriam reconstruir o Templo, mas a revolta do bar Kokhba falhou e os judeus foram banidos de Jerusalém. 

Após a conquista muçulmana de Jerusalém no século 7, o califa Umayyad Abd al-Malik ibn Marwan ordenou a construção de um santuário islâmico, conhecido hoje como o Domo da Rocha, no local do Templo. O santuário está no monte desde 691 AEC. 

A que é conhecida como Mesquita Al-Aqsa, aproximadamente do mesmo período, também fica no pátio do Templo. 



NOTA DO TRADUTOR: Ver  Mesquita de Al-Aqsa não fica nem jamais ficou em Jerusalém.



O Monte do Templo, juntamente com toda a Cidade Velha de Jerusalém, foi capturado à Jordânia por Israel em 1967 durante a Guerra dos Seis Dias, permitindo que os judeus mais uma vez orassem no seu local mais sagrado desde 1948.

Serviço tradicional em grande parte inalterado desde os tempos do Templo

Grande parte do serviço tradicional judaico da manhã, especialmente o Shema e o Shemoneh Esrei (a oração devocional silenciosa), mantém-se praticamente inalterado desde o culto diário no Templo. Além disso, o Shemoneh Esrei tem um novo significado em que corresponde e lembra a oferta diária do Templo.


O Templo Sagrado é mencionado extensivamente nos serviços ortodoxos, incluindo:


- Recitação diária de passagens Bíblicas e Talmúdicas relacionadas com os sacrifícios realizados no Templo;


- Referências à restauração do Templo e cultos sacrificiais nos três dias Shemoneh Esrei;


- Apelo à reconstrução e restauração do Templo em vários pontos em cada um dos três serviços diários; 


e

- Recitação do Salmo do dia - o Salmo cantado pelos levitas no Templo para aquele dia durante o serviço diário da manhã. 


Judaísmo ortodoxo: reconstruindo o Templo

O judaísmo ortodoxo acredita no futuro edifício de um Terceiro Templo e na retomada das oferendas, embora haja desentendimento sobre como a reconstrução deve ocorrer. A maioria das autoridades rabínicas acredita que a reconstrução do Templo só deve ser realizada pelo Messias na era messiânica, embora alguns acreditem que o povo judeu deveria reconstruir o seu próprio Templo. De acordo com outro ensinamento, Deus mesmo enviará o Templo Terceiro, e Final, do céu.


Bem conhecido pelas suas posições polémicas sobre a soberania judaica sobre o Monte do Templo, o rabino Shlomo Goren, rabino-chefe do IDF (e depois rabino-chefe do Estado de Israel) após a captura do Monte em Israel em 1967, começou a organizar a oração pública para os judeus no local.  


Em 15 de Agosto de 1967, o rabino Goren liderou um grupo de 50 judeus no Monte do Templo. Lutando contra os guardas muçulmanos e contra a polícia israelita, eles realizaram um serviço de oração.  

O rabino Goren continuou a rezar por muitos anos num prédio com vista para o Monte do Templo, onde realizou serviços de festividades anualmente. O seu pedido para o estabelecimento de uma sinagoga no Monte do Templo foi posteriormente reiterado pelo seu cunhado, o Rabino Chefe de Haifa, Shear Yashuv Cohen.

 


Pelo rabino Ari Enkin

United With Israel, hiperligações no original. 

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Unidos com Israel em Espanhol (clique no símbolo): 


https://unitedwithisrael.org/es/



Veja também:

Um Templo, Dois Templos, Três Templos



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